JACQUELINE MORINEAU
MEMORIAL
Quem foi?
Arqueóloga de profissão, Jacqueline tornou-se pesquisadora em numismática grega no British Museum. Sua atividade profissional começou a se modificar quando ela passou a dedicar parte de seu tempo a um centro de acolhimento de jovens que acabaram de sair da prisão em Brixton. Graças a essa experiência, Jacqueline, após seu retorno à França, foi indicada para participar de um pequeno grupo de reflexão, no Ministério da Justiça da França, sobre a criação de uma estrutura alternativa nos tribunais, que pudesse melhor atender às demandas da população. Assim, no final de 1983, nascia a proposta de criação da primeira estrutura de “Ajuda às vítimas e Mediação”, tendo sido Jacqueline encarregada de criar o primeiro órgão de ajuda às vítimas e de mediação penal, em colaboração com a Procuradoria da República em Paris.
Jacqueline começou a formar mediadores quando não havia qualquer pessoa na França com experiência na formação na mediação. Da prática adquirida com a experiência de Brixton de dar espaço ao grito, ao sofrimento, eis que nasce a “Mediação Humanista”, cujo coração é “o encontro com o sofrimento para que este seja transformado, para que se possa sair do caos e reencontrar a harmonia, a humanidade de cada um.” (MORINEAU, 2008, p. 77, tradução nossa).
Jacqueline Morineau
★ 10 de setembro de 1934
✝︎ 15 de julho de 2023
Ao tentar estruturar o material para a formação de mediadores, Jacqueline refletiu acerca dos filósofos gregos, de suas pesquisas nos temas da Justiça, da bondade, da sabedoria, enfim, no que seria viver, voltando-se, portanto, às questões fundamentais dos homens. Foi então que ela percebeu que não havia nada a ser ensinado tecnicamente, mas um caminho de vida a ser compartilhado, uma experiência a ser vivida conjuntamente. Como diz Jacqueline (2008, p. 78, tradução nossa):
“A mediação é o cenário onde se apresenta ‘A Comédia Humana’ com toda a sua riqueza composta de desespero e esperança.”
Imagens exclusivas de Jacqueline com alunos do MEDIAH:
A formação na Mediação Humanista nasce, então, como diz Jacqueline, de duas experiências:
Os 20 anos de prática na mediação, ou seja, 20 anos de experiência com os conflitos, sofrimentos e emoções das partes e sua experiência pessoal ligada ao sofrimento pela morte de familiares próximos, em especial, mãe, pai e filho, num curto período de tempo. Dessas experiências associadas à crença de Jacqueline na capacidade de renascimento de cada pessoa depois de vivenciar situações difíceis, surge o método de formação na Mediação Humanista, que, na verdade, não se trata propriamente de um método, mas de um processo, pois o método está em constante transformação.
Em 1993, ou seja, após 10 anos da prática da Mediação Humanista com o Ministério da República de Paris, a Lei 93-2 institucionalizou a mediação que pode ser desenvolvida em outras jurisdições da França. Hoje, cerca de 80% dos casos encaminhados ao CMFM (Centre de Médiation et de Formation à la Médiation) pelo Parquet de Paris que passam pela experiência da Mediação Humanista resultam na retirada das queixas. É importante destacar, ainda, que, embora a Mediação Humanista tenha nascido da experiência da mediação penal, hoje, ela se difunde para as mais diversas áreas: família, escola, comunidade, cárcere.
